quarta-feira, 15 de abril de 2009

Quetzaltenango - 25/dez/2008

O dia prometia. Fui avisado por várias pessoas que eu não conseguiria chegar a Xela...mas algumas me disseram que eu conseguiria...demoraria, mas conseguiria.

Levantei, lavei o rosto, despedi-me do dono do hotel e fui em direção aos barcos...teria que voltar até Pana e de lá ir tomando Chicken Buses até Xela.

Caso não fosse feriado, haveria bus normal para Xela (porém, mais caros) e Chicken Buses direto dali até Xela, o caminho seria mais curto e menos cansativo.

Fui em direção ao deck para voltar até Pana e quanto mais próximo do deck, eu começava a ouvir uma música, uma batida forte...era a festa que eu estava na noite anterior.

Eram umas 08h30min da manhã e ainda estava rolando, imagine o consumo de entorpe que não rolou...

Segui meu caminho, fui até o deck porque o barco partiria às 08hs30 e lá fiquei pensando no meu roteiro: San Pedro - Panajachel - Sololá - Los Encuentros - Cuatro Caminos - Xela! Tudo num mesmo dia!

O barco saiu com 05 minutos de atraso e pronto, iniciaria minha jornada.

A viagem até Pana durou uns 30min sob um sol de rachar. Cheguei e lá me ofereceram um transfer até Xela sob algumas condições: U$ 20,00 (até aí eu até pagaria), mas só sairia às 17hs, eram pouco mais de 09hs da manhã. Refutei.

E o malcriado do cara ainda ficou bravo comigo e me afirmou que eu não conseguiria chegar a Xela porque não haveria outro meio de transporte para lá naquele dia.

Duvidei.

Caminhei desde o deck de Pana até a Calle Santander e de lá fui até a avenida principal (e única) de Pana, dali partiriam Chickens até Sololá. Cheguei e havia um bus que logo partiria para Sololá. Comprei uma coca-cola e um pãozinho e aguardei a saída do bus.

Tal qual alguns buses da Bolívia e do Peru, nos Chicken Buses as bagagens vão em cima do busão e isso causa um certo receio de que se perca tudo ou que molhe...mas beleza, era o jeito.

A viagem até Sololá não causou maiores transtornos, no bus ainda estavam outros viajantes, mas não tive oportunidade de trocar idéia. Desci em Sololá e já havia um bus esperando para irmos até LOS ENCUENTROS.

Como o nome já diz, Los Encuentros é um pico onde várias rotas de buses se encontram e de lá seguem para vários lados do país, imaginei que haveria muitos ônibus e que seria rapidinho, mas ao chegar lá, o lugar estava quase vazio.

Uma portinha que se disfarçava de bar com dois banheiros imundos, algumas crianças jogando bola e algumas pessoas da região esperando ônibus.

O destino mais comum era para Guate ou Antigua, enquanto o doido aqui teimava em ir para Xela.

Me juntei a umas 04 pessoas que também iam para Xela e estavam esperando. Um senhor que viu uma bandeirinha do Brasil costurada na minha mochila veio puxar papo comigo. Perguntou algumas coisas, falou de futebol - óbvio -, e mencionou que os brasileiros pouco vinham até a Guatemala, algo que eu já descobrira neste poucos dias de viagem.

Juro, o busão demorou cerca de 40 minutos em virtude do feriado, ficamos lá, torrando no sol. Quando chegou estava abarrotado! E eu fui ser gentil, deixei o pessoal ir na frente, fui eu mesmo por a mochila lá em cima do busão e me dei mal.

Quando tentei entrar o busão estava lotadíssimo e fiquei meio dependurado na porta. O motorista falava - "adentre, adentre" - e eu pensava comigo - " o cara tá me tirando, não é possível!".

Daí ele começou a gritar para o pessoal ir mais para o fundo e eu afinal consegui entrar. O ônibus era minúsculo, aliás, todos são e onde cabiam apenas 02 pessoas sentadas, sentavam três!!!

Fora que no corredor ficavam várias pessoas e não tinha como passar.

Como eu iria descer em Xela, eu não podia ficar ali pendurado na porta - ah, bom!!! -, então o motorista disse para eu ir indo mais para trás...no entanto, para meu azar, minha mochila pequena prendeu no vestido de uma indígena e, meu, foi aquele bafafá!

Eu tentava ir para o fundo e ela gritando que o vestido estava preso, eu tentei tirar o enrosco e ela passou a dizer - "no me toque, no me toque!" - e eu lá queria tocar na mulher???!!! Claro que não! Nem que fosse a Miss Indígena Guatemala, pois o papelão que estava passando não me deixaria pensar numa coisa dessas.

Aí eu tive a brilhante idéia - "dejame cortar el vestido!" - pronto, a mulher quase teve um xilique! Disse que se eu cortasse ia pagar, etc, etc, etc...e eu olhava para o pessoal do busão e todos estavam rindo da situação ou da minha cara...ou, pior, das duas coisas!

No fim das contas outra indígena ajudou-nos a desenroscar minha mochila do vestido e consegui ficar "preso" no corredor do busão. Não há outra palavra para descrever a situação.

De um lado tinha um homem sentado e encostado em mim (eu estava de pé no corredor, lembre-se!), de outro uma mulher com criança de colo sentada e dormindo encostada em mim também e de vez em quando o pessoal do fundão queria descer e tinha que passar por mim.

Como???

Eu literalmente me pendurava naqueles ferros que são usados para nos segurarmos, levantava as pernas, tentava dobrar os joelhos de lado para o pessoal passar e após sentir-me quase que violado, conseguia fazer com que o povo passasse.

Beleza se a viagem durasse 15 minutos...beleza se fosse 30 minutos, beleza se fosse 01 hora, mas durou mais de 02 horas nessa brincadeira, foi embassado.

Foi minha primeira grande experiência num Chicken Bus, quando realmente aprendi o porque se chama Chicken Bus!

Bom, após duas horas de martírio, cheguei...a CUATRO CAMINOS. Sim, outro pico onde deveria descer e tomar outro Chicken Bus. Esperei pouco, cerca de 05 minutos e logo apareceu um bus para Xela, GRAÇAS A DEUS!

Desta vez o bus estava tranquilo e chegamos a Xela após 30min, no entanto, tive que descer num lugar lá e tomar um táxi para o centro da cidade, onde eu ficaria, meu, nunca peguei tanto transporte coletivo em tão pouco tempo.

Cheguei master cansado e sentindo um pouco dos efeitos da altitude, afinal, Quetzaltenango está a 2335 metros acima do nível do mar, não é muito, mas fiquei um pouco ofegante.

Fiz meu check in no BLACK CAT HOSTEL (blackcatxela@gmail.com; Av. 13a, 3-33) e logo de cara me pareceu muito legal. Almocei um burrito lá mesmo e fui dar uma descansada, afinal, não sou de ferro.

Minha idéia era fazer a subida ao vulcão Santa María no dia seguinte, então, teria que estar beeem descansado.

Enquanto eu descansava, chegaram uma mãe e filha tipicamente americanas (mãe mexicana e filha americana)! Elas tinham pouco tempo em Xela e queriam fazer algo com adrenalina. Eu lhes disse que ia fazer o Santa María no dia seguinte e elas toparam fazer junto, mesmo eu tendo falado que talvez fosse demasiadamente cansativo para as duas.

Mas beleza. Fizemos a reserva lá do albergue mesmo para garantir o tour. Fiquei animado, mas preocupado porque não fizera a adaptação à altitude, mas beleza.

Fui dar um rolê pela praça da cidade, comprei algumas coisas para levar, água, pão, bolachas, comi alguma coisa no albergue novamente e às 20hs fui deitar para dormir porque queria estar muito descansado no dia seguinte, até porque partiríamos às 05hs30 da manhã!!!

Dei boa noite para minhas companheiras de trekking e de quarto e capotei!

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