quarta-feira, 16 de março de 2011

Lá vem o Alemão!

Lá vem o Alemão!
Tranquilo e sempre sorridente, estes seriam os adjetivos que eu daria para Etienne.

Etienne é um alemão, salvo engano de Hamburgo, que conhecemos em Huaraz, na trekking da Quebrada de Santa Cruz, no Parque Nacional Huascarán.

Estávamos no mesmo grupo, chefiados pelo guia local Abel.

Ela havia chegado à cidade e disse que já se sentia aclimatado porque viajava pela América do Sul há alguns meses e tinha o costume de fazer fazendo trilhas em locais de grandes altitudes, tais como o planalto boliviano.

Realmente no caminho do primeiro dia ele foi bem, caminhava vagarosamente, com seu agasalho vermelho que com uma mão em cada alça da pequena mochila que carregava nas costas. Quase não parava e isso fazia muita diferença...devagar e sempre.

Fiquei conversando com ele um pouco durante a trilha e mais quando chegamos no acampamento do primeiro dia.

Lá perguntei de onde vinha o bom espanhol que falava e o rastafari que usava no cabelo.

- Aprendi español en Buenos Aires, vivi allá por seis meses...y el rasta, fué cuándo vivi un año en Uganda, haciendo volunteer work!!

A cada dia de trilha eu descobria um lugar a mais que tinha ido...

- Yá he trabajado en Londres...

Ou

- He hecho el W en Torres del Paine...

E assim seguia a conversa...

Num desses momento,s perguntei há quanto tempo estava viajando, vez que já tinha frequentado metade do mapa-mundi e ele respondeu:

- Hace cinco años que estoy de viaje!

Quase caí duro de inveja. Para nós cinco, isso era algo impensável...para tirarmos nossos trinta dias de férias às vezes é uma briga...para conseguir dinheiro para ficar viajando por trinta dias, um sufoco...e o cara viajando há cinco anos...era praticamente um sonho inatingível para os cinco.

O trekking acabou e nos despedimos, mas acabei esbarrando com ele na praça principal de Huaraz, ele estava com Abel e ia provar o cuy, uma espécie de rato pequeno que é muito apreciada nos Andes.

Comentei com ele que no dia seguinte iríamos para Trujillo e coincidentemente ele também estaria lá, nos despedimos e cada um seguiu seu rumo.

Quando no dia seguinte lá pelas 07hs, chegamos na rodoviária e lá estava Etienne, sentado e comendo um cereal peruano, com cara de despreocupado.
- Estoy esperando um bus para Huanchaco - disse.

Eu já tentei ser legal...os demais iam de táxi para Huanchaco e eu ficaria na Karina, que me ofereceu couch surfing.

- Rafa, vocês podiam dividir o táxi com o Etienne se o taxista deixar entrar cinco - eu comentei.

Rafa sempre solícito como eu, confirmou:

- Fica tranquilo que eu falo com ele.

Segui meu caminho e os deixei lá.

Marquei de encontrar com o pessoal ao meio-dia na entrada das Ruínas Chan-Chan, um famoso sítio arqueológico com muros feitos de barro.

Cheguei lá e logo perguntei:

- Deu tudo certo com o Alemão?

De pronto, Júnior respondeu meio bravo - Tudo certo? Ele desceu do táxi, se despediu e foi embora, nem dividiu o táxi com a gente!!! Alemão folgado.
Eu casquei o bico.

- E quanto ele ficou devendo, Júnior?

- Dois soles!

Daí que eu ri mesmo...dois soles era quase dois reais...mas entendia, não era pela grana, era pelo descaso.

E passou...no dia seguinte, eu estava caminhando pela praia em Huanchaco e de longe avistei Etienne, caminhando com a tranquilidade ímpar que possui e com uma prancha debaixo do braço...e mais tarde comentei com o pessoal:

- Pô, vi o Etienne de longe, estava vindo do surfe.

- Falou com ele? - perguntou Júnior.

- Não, não deu tempo...estava longe...

- Pô, se eu estivesse junto ia lá cobrar meus dois soles!!! - exclamou.

- Júnior, larga mão de ser sovina! - retruquei.

- Sovina nada, desse jeito, dando calote nos outros, até eu viajaria 05 anos!

E foi a última vez que vi Etienne na viagem...

segunda-feira, 14 de março de 2011

Um trekking, três dias, muita chuva

Um trekking, três dias, muita chuva!

Um dos pontos considerados altos na viagem seria o trekking da Quebrada de Santa Cruz, no Parque Nacional Huscarán, porque é considerado um dos mais bonitos da América do Sul.

Eu relutei muito em fazer a trilha porque passei muito mal da altitude no passeio ao Pastoruri, e achava que poderia passar malzão e não terminar o trekking e prejudicar o pessoal.

Marcamos de encontrar com o guia na frente da agência porque estava incluído o transporte!

Meu Deus! Olha se não estivesse!!!

O "transporte incluído" nada mais era que ir conosco até um terminalzinho de vans com os demais que iam fazer a trilha e colocar todos numa van junto com outras pessoas que iam descer em outras localidades!

Ridíííículo!

Fiquei muito estressado com isso, mas beleza...passou...passou? Passou...

O primeiro dia de trilha, quase não pegamos chuva, só um pouco de final e foi tranquila. A trilha em si no primeiro dia é super sossegada, como se fosse um pequeno zigue-zague e quase nada íngreme; a dificuldade fica sempre pela altitude, minha parceira de sofrimento.

Quando chegamos no primeiro no fim do primeiro dia, estava bem, porém, na hora de dormir comecei a passar bem mal...e pensei seriamente em voltar no dia seguinte.

Foi a frase de Júnior que me desmotivou a voltar.

- Cara, você viu a estrada como é, com chuva ainda...se eu fosse você, preferiria continuar a trilha a voltar por essa estrada.

Ele me convenceu, pois a estrada da entrada do parque até o início da trilha é sinistra mesmo, com penhascos absurdos, sem qualquer proteção...aliás, proteção só se for a Divina porque vimos várias cruzes sinalizando os locais de acidente.

Passei mal, mas medicado com aspirina e dorflex, dormi, pessimamente, mas dormi. Detalhe que tive que usar o saco de dormir apenas como cobertor porque o que agência me forneceu teve o zíper quebrado na primeira abertura que dei. Fiasco!

Imaginem a ótEma noite que passei, mal de altitude, frio pacas e cansado...fora o receio de atrapalhar o pessoal no dia seguinte.

Mas acabei fondo!

Durante a trilha conhecemos o pessoal do grupo; Kuy, um simpático jaonês que quase não falava inglês e nenhum espanhol, Etienne, um alemão bacana cuja história contarei mais à frente e uma francesa meio enjoada cujo nome não me recordo, além de nosso guia, Abel e o arrieiro, do qual também esqueci o nome.

O segundo dia da trilha é muito pesado, talvez o mais pesado que já fiz na vida, por dois motivos, é muito longo e a altitude mata.

Chegamos a quase 5.000m de altitude junto à Punta Union (foto), agora sim num zigue-zague infernal, interminável e íngreme, sob condições de tempo horrorosas...chuva, vento e um pouco de neve...

Os últimos passos até o o lugar mais alto foram um sacrifício para mim, eu via o objetivo e pensava - "se não tivesse tão perto, eu pediria para voltar, não ´tô aguentando!" - e com um esforço descomunal consegui alcançar...e juro que pensava na minha viagem para Honduras quando passei uns dias numa praia caribenha tomando umas brejas.

Levamos seis horas para chegar a Punta Union e mais três para descer até o acampamento onde iríamos dormir.

O legal deste dia é que Samantha e Luana compartilharam a incrível experiência de cagar no mato.

As duas não se aguentaram e se esconderam para liberar o necessário e lembro que Luana até comentou - "pô, é bem melhor no mato que banheiro público que é sujo e desconfortável...no mato ao menos é mais fácil que em banheiro público!"

Eu também deixei um pedaço de mim para trás e segui minha vida...

O bom de fazer com uma agência é que parecíamos do programa EXTREMOS da Multishow, era chegar e se esticar na barraca que já estavam montadas e aguardar sair a janta...isso era uma baita facilidade, mas meio que não curto isso, mas que é uma facilidade, é.

Mas nesta noite, comi um dos melhores rangos da viagem, sem dúvida nenhuma!

Nosso guia, Abel, era tão bom cozinheiro quanto guia e preparou um molho para um macarrão espetacular! Comi demais nesse dia...além disso, tinha até entrada...ele fez uma baita sopa que todos adoraram, fantástica mesmo.

Havia uma barraca que servia de cozinha e comedor, e não fosse pelo frio, creio que passaríamos várias horas lá trocando idéia.

Neste noite decidimos junto aos demais que não terminaríamos em quatro dias, mas sim em três porque já estávamos cansados de tomar chuva, vento e frio...quase todos concordaram, apenas a francesa não curtiu muito.

Fizemos a descida em umas oito desgastantes horas, eu, Luana e Júnior saímos na frente disparados e foi um dia legal porque nos divertimos durante a trilha, tiramos fotos, fizemos videos para tirar uma onda do Rafa que ficou pra trás e pegamos um clima bacana.

A volta para cidade foi horrorosa também, tivemos que discutir um pouco com Abel, fazer baldeações e chegamos exaustos em Huaraz, desesperados para tomar um banho FRIO (queríamos quente, mas era algo meio impensável no hostel, era uma loteria) no Andes Camp; comer algo suculento no Encuentro e tomar algo quente no Café Andino, para enfim deixar Huaraz e seguir para Trujillo.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Um café e um banheiro, por favor!


À parte do que já falei de Huaraz, o Café Andino pareceu um oásis entre os bares e cafeterias da cidade.

Um ambiente realmente agradável, com bela decoração, uma vista fantástica para as montanhas, com livros e fotos da região à vontade para o pessoal ler, ótimo atendimento e boas comida e bebida...aliás, o burrito e o bolo de chocolate eram espetaculares!


Mas além destas qualidades, creio que o que mais nos atraía ao Café Andino era seu banheiro.


Para nós que estávamos mal hospedados, com péssimo e compartilhado banheiro, lá era o aconchego que nossas nádegas precisavam para que pudéssemos colocar o sistema digestivo em dia.


Numa das vezes que estávamos lá, numa mesma noite, Rafael, eu, Sam e Lu, nesta ordem, fomos ao banheiro para cortar o rabo do macaco. Alívio!


Fora que lá no Café Andino ficávamos sentados, sem fazer nada, olhando para o teto, comendo do bolo, tomando ora um café, ora uma breja...só pelo simples fato de ser um lugar muito agradável e que nos sentíamos em casa, mesmo em viagem.


Lembro que numa manhã, eu e Luana tomamos talvez o desjejum mais longo da viagem...ficamos cerca de 01hs30min de bobeira...trocando idéia e degustando não só da comida, mas também do prazer que era estar lá...se bem que para muitos, o maior prazer de lá era usar o banheiro...


Café Andino
Lúcar y Torre, 530, 3.º andar, Huaraz, Peru.

Uma criança feliz

Uma criança feliz

Um dos momentos mais bacanas da viagem foi de um pouco de sofrimento para mim.

Esclarecendo, sofro muito com o mal de altitude e fomos fazer um passeio no segundo dia de Huaraz no NEVADO PASTORURI, a 5.200m de altitude, ainda com a agência horrorosa, Mony Tours, não se esqueçam para não contratá-la.

O tour leva até uns 4.800m e de lá são uns 400m de subida leve, fácil, fácil, quase pequenos degraus...se não fosse a alttude!

Demorei muito para subir aqueles 400m, e digo que fui o último a chegar e cansado que não conseguia nem falar direito.

Ao chegar e descansar, melhorei um pouco, mas não fazia muitos esforços não...tirei umas fotos, bebi muita água e fiquei tranquilo curtindo a vibração do momento.

Porém, como era um nevadinho, foi bacana porque fizemos uma pequena guerra de neve um no outro, tiramos fotos e vimos a alegria da Luana vendo neve pela primeira vez.

Certo momento, Rafa estava filmando a Lu e disse:

- Lu, fale alguma coisa para sua mãe!

Ela pegava a neve com as mãos, jogava para cima como uma criança feliz e repetia:

- Neve, neve, neve mamãe! Neve, neve, neve, mamãe!!!

E nos confidenciava:

- ´Tô muito feliz, cara, sempretive essa vontade de ver a neve...´tô realmente me sentindo uma criança!

O único problema foi o sinistro boneco de neve que ela fez, acho que a Pachamama fará uma avalanche lá para derrubar aquele boneco feio e maligno, com alma de uma criança feliz!


Uma família brasileira

Uma família brasileira

Durante o tour para a Laguna Llaganuco, pela péssima agência MONY TOURS, conhecemos dentro do bus uma família de Curitiba e que fizemos um bom contato.

Era uma família composta por marido, esposa e um casal de filhos, uma bonita garota já com uns dezenove anos e um menino com uns treze. Pareceu-me que a mãe deles era a literal "chefA" da família, mais rígida e durona no rato com os filhos, era como se mandasse na casa.

Na ida fomos conversando e rindo. Eram muito simpáticos, muito bacanas e tinha boa cultura, foi bacana interagir com brasileiros, até porque, não havíamos encontrado nenhum até aquele momento.

Como o tour demora umas três horas para chegar, houve tempo o suficiente até para piadas e brincadeiras entre nós e eles, foi bem descontraído.

O tour na verdade tem o nome de Llaganuco, mas só se vai até a Laguna Chinancocha, a lagoa fêmea, que não descobri porque tem este apelido.

É um passeio bacana, não é caro, cerca de U$ 20,00, mas extremamente cansativo pelo tempo que se passa dentro do ônibus tanto na ida, quanto na volta, para se ficar apenas uns cinquenta minutos lá no parque, mas é um dos mais famosos da cidade e vale à pena ir.

É uma lagoa muito bonita, mas as fotos dela na época de inverno, entre maio e setembro - que é o verão dos caras porque não chove, é isso mesmo, parece loucura, mas é verdade! -, são mais bonitas que as da época que fomos (dezembro) quando o tempo fica meio fechado.

É possível fazer o passeio sozinho, mas tem que verificar horários dos ônibus urbanos, claro que sai bem mais barato, mas, meu, ficar umas três horas no bus direto foi cansativo demais, imagino ficar fazendo baldeação para chegar ao lugar.

Na volta, com todos já cansados e o ônibus em silêncio, só dava nós cinco conversando, nem a família trocava ideia.

Estava tudo beleza, só que em dado momento, deu um ataque no Rafa e este ficou uns trinta minutos só falando besteiras, besteiras engraçadas, mas meio pesadas...

Eu casco o bico e acho normal, mas vi que os brasileiros se incomodavam...Júnior e Samantha até deram uns toques no Rafa, mas o cara deve ter sido amaldiçoado e deve ter incorporado um espírito de cuy andino porque não conseguia parar.

Mas admito que estava engraçado.

Certo momento ele parou e ficamos no silêncio sepulcral, mesmo sem conseguir dormir no bus.

Quando o tour chegou ao fim, despedi-me dos curitibanos e disse:

- Desculpe pelas brincadeiras no ônibus.

E ela respondeu:

- Não, não tem problema, já estamos acostumados, por isso que brasileiro é mal falado no exterior.

Bom, entendo a raiva dela porque ouvira cada baixaria lá e ao lado dos filhos...mas, ela que me desculpe, considero que se excedeu, não precisava falar isso até porque não houve nada que justificasse a frase, mas cada um é cada um...e seguimos nossa viagem e ainda bem que o Rafa não incorporou mais nenhum espírito de mascote andino!!!

HUARAZ - Um triste contraste

HUARAZ - Um triste contraste

Chegamos a Huaraz!

Uma das coisas boas seria encontrar o Juninho que já se encontrava há uns quatro dias na cidade, mal sabíamos que a presença de Júnior seria fundamental para muitas risadas durante a viagem, mais pra frente vocês verão.

Uma simples caminhada por Huaraz logo n chegada é suficiente para ver que a cidade é suja, feia, mal conservada e nem um pouco planejada.

Uma lástima porque é um importante centro turístico do Peru e poderia ser, ao menos, parecida com El Calafate ou El Chaltén na Argentina, dois pólos turísticos muito ajeitados para o turista.

A feiura da cidade contrasta com a beleza de suas montanhas, uma cadeia de montanhas incrível que víamos nas raras vezes que o tempo abria bem.

Não se iluda, não dá para apostar com a Pachamama, se for época de chuva, não creia que sua sorte é maior que a vontade da Mãe Natureza, pegamos chuva todos os dias...e ainda assim fomos fazer o Trekking da Quebrada de Santa Cruz!

Até para encontrar lugares bacanas para dormir e comer era meio difícil. Agência de turismo confiável então, nem se fale.

Ficamos num péssimo hostel ANDES CAMP, era bem barato, mas mal localizado, frio, com chuveiros que nunca funcionavam, horroroso café da manhã, só o preço era bom mesmo!

Para comer, achamos dois bons lugares e só, o Café Andino, que falarei em outro post, e o Encuentro (http://www.restaurantencuentro.com/) , que fica numa galeria de uma das travessas da avenida principal de Huaraz, Luzuriaga.

Apenas para ressaltar, o Encuentro é realmente um excelente lugar para comer, comida boa, não é cara e ótimo atendimento.

E para piorar, os passeios distam muitos quilômetros da cidade, o que nos estressava ao ficarmos nos péssimos buses nas perigosas estradas.

Portanto, antes de ir a Huaraz, não deixe de considerar e muito a época do ano, pois estes problemas de estrutura serão minimizados com a vista espetacular que pode proporcionar das montanhas.

terça-feira, 8 de março de 2011

Um ônibus para Huaraz

Um ônibus para Huaraz

Depois de Lima seguiríamos a Huaraz, mais ao norte e conhecida como a capital peruana do trekking com trilhas e picos famosos em todo mundo.

Sabíamos que não era a época mais adequada, mas, teimosos, íamos mesmo assim!

Pegamos um ônibus em Lima em direção à Huaraz e o percurso levaria em torno de oito horas, talvez por estradas ruins em desconfortáveis buses e pessoas não muito educadas.

Eu, Rafa e Sam que já havíamos viajado por distância piores dentro do próprio Peru e na Bolívia já conhecíamos os possíveis problemas que encontraríamos, mas mesmo Luana estava de boa com a possibilidade de pegar uma péssima viagem de ônibus.

Só haviam dois lugares juntos no bus e para preservar as meninas, deixamos as duas juntas, ao invés do Rafa ir com a Sam.

Então, eu e ele fomos ao lado de peruanos e sabíamos que isso não seria legal.

Já adianto que se não foi a pior, talvez tenha sido um dos piores trajetos da viagem e da minha vida - quando eu chegar ao trajeto Tumbes-Guayaquil analisarei qual foi o pior -, e me estressou mais pela falta de educação e pouca gentileza dos caras do que pelo desconforto do bus em si.

Tanto eu quanto Rafa pedimos aos caras que estavam ao nosso lado para que deixassem a gente trocar...vejam, só precisávamos que um trocasse, mas nenhum dos dois foi atendido.

Depois, ao menos no meu caso, começou uma verdadeira disputa, não só pelo braço do banco, mas sim pela dignidade de dormir sem que o cara deitasse no meu ombro.

Ele simplesmente desabou no meu ombro com uns trinta minutos de viagem e isso realmente me incomodou.

Não bastou eu acordar o cara e informá-lo que estava deitado sobre meu ombro e que não estava conseguindo dormir...ele desculpou-se, virou para o lado contrário, mas em três minutos estava de volta em meu ombro.

Não sabia o que fazer, acordei-o de novo e já pensei - "vou acabar arrumando confusão na viagem!" -, mas não tinha jeito, o cidadão parecia ter um caguete sonâmbulo de deitar para o lado direito dele, justamente do meu ombro.

Ou então, vai saber, tinha predileção por ombros masculinos brasileiros!

Só sei que passei a estender meu braço para que o folgado não deitasse no meu ombro, pensei - "se eu não durmo, ninguém dorme" -, como diria meu amigaço Léo Liporoni!

Dado momento, joguei meu banco pra frente na posição de noventa graus e aí ele escolhia em ficar reto ou dar com a cabeça no encosto de ferro do banco.

Durante as longas oito horas, não dormi trinta minutos e cheguei irritado à Huaraz, mas tentava me acalmar repetindo que era a cultura dos caras de serem folgados, ainda que não concordasse com esse jeito.

Bom, chegara, agora era respirar e não deixar para comprar as passagens de última hora!

Uma cidade que encanta!

Uma cidade que encanta!

Lima continuaria a nos surpreender, além do Centro e de Barranco terem deixado uma ótima impressão, creio que foi em Miraflores que nos apaixonamos por Lima.

Miraflores tem um visual lindo do Pacífico, um calçadão muito bacana para caminhar, ruas e avenidas bem cuidadas e edifícios, bares e restaurantes bonitos.

Mas o destaque fica para o Shopping Larcomar.

O Larcomar fica bem em frente ao Pacífico, com uma vista exuberante e com ótimas lojas, excelentes cafeterias e pra quem gosta, também há os fast-foods da vida!

Nós quatro ficamos lá, curtindo o por-do-sol, tomando um café e comendo um alfajor do Cafe Havanna, que tem uma filial no Larcomar.

Mas o momento mais marcante de Lima pra mim foi sem dúvida o PARQUE DE LA RESERVA, no bairro de Santa Beatriz, cuja principal atração é o Circuito Magico de las Aguas, cujas apresentações só iniciam no começo da noite para que haja o contraste de cores.

Lá você volta a ser criança vendo as fontes incríveis jorrarem alto, como se fosse um caleidoscópio de água, fora o show visual de hologramas com uma bailarina dançando ou representações folclóricas peruanas, além, é claro, dos "básicos" movimentos das fontes que "brincavam" com as pessoas.

Foi realmente incrível e inesquecível e me ajudou a ter certeza de que Lima é uma cidade encantadora que não pode deixar de se conhecer quando for ao Peru!

Infelizmente estávamos esgotados para curtir a noite de Miraflores e acabamos dormindo até meio cedo na casa de Claudio...já com saudades de Lima!


Outra foto do Circuito de las Aguas


Vista do Pacifico desde o Shopping Larcomar

Um almoço para vida toda!

Um almoço para vida toda!

Como já mencionei no outro post, ouvi muitos adjetivos negativos sobre Lima, mas ainda assim queria desbravar esta cidade.

Sam é doida por roteiros e preparara algo muito bom para conhecermos, o bairros Barranco e Miraflores, além do Parque de la Reserva onde há o famoso Circuito Magico de las Aguas.

Começamos por Barranco que me pareceu muito simpático, com alguns bares e restaurantes ótimos, mas que não funcionam em sua maioria pela manhã.

Barranco é um bairro bacana até para se hospedar porque é tranquilo e próximo a Miraflores, além de possuir uma boa vista do Pacífico.

Lá passamos pela simpática Puente de los Suspiros, nome que decorre de inúmeros romances iniciados lá, segundo conta a história está no link que segue:

Foi lá que comemos um dos rangos mais baratos da viagem e com certeza o mais engraçado da minha vida...

Pegamos a dica de Remi que nos falou que haviam comido por 5,00 soles, sim, 5,00 soles e ainda ganhava uma bebida.

Peregrinamos pelas ruazinhas do bairro e finalmente encontramos uma que tinha vários restaurantes chinfrins com preços ridículos de barato.

Escolhemos o menos pior e paramos.

O pessoal escolheu seus pratos e quando o garçom saiu, falei para o Rafa que havia pedido pollo - "meu, não deu tempo para lhe falar, mas acho que você vai se arrepender do seu pedido..."

Ele perguntou o porque e eu disse que nesses lugares deve-se pedir sempre a pechuga de pollo (peito de frango) e não o frango em si!

Quando chegaram os pratos, Rafa ficou indignado!

O frango tinha mais osso que carne, além dos nervos peculiares...

Bom, o vídeo diz mais que qualquer relato: http://www.youtube.com/watch?v=uhpnRe1N0cc com a respectiva continuação: http://www.youtube.com/watch?v=v7JP11n51B0

No fim das contas, Rafa acabou tendo que pagar por outro prato para ao menos comer algo, pois realmente não dava para encarar o prato dele, juro, não foi frescura do cara não!

O Rafa que me perdoe, mas neste dia ele fez a alegria de todo mundo...essa foi uma grande lição que aprendemos no Peru, NUNCA PEÇA POLLO, pois pode se arrepender!!!

quarta-feira, 2 de março de 2011

O Centro de Lima e El Estadio

O Centro de Lima e El Estadio

Antes da viagem, li bastante coisa sobre Lima...e o que mais li foi de que não havia muita coisa para fazer e que era uma cidade muito perigosa.

Bom, não concordo com nenhuma das duas opiniões.

Andei de ônibus, à pé, de táxi, de manhã, de tarde e de noite e nada nos aconteceu.

Andamos bastante pelo Centro de Lima – que muitos falaram horrores – e não nos sentimos ameaçados em momento algum.

Aliás, o Centro de Lima é bem bacana. Há boas praças com belas igrejas – fizemos o tour na Catedral que foi muito bom -, alguns bares e restaurantes bem agitados e que valem uma parada para ao menos um pisco sour.

Meu destaque vai para o bar El Estadio, na Plaza San Martín, a algumas quadras da Plaza de Armas, onde comi um sanduíche e tomei todas com o Rafa, Sam e Lu. Até Claudio, Sam e Remi apareceram lá.

O El Estadio é todo decorado com tema de futebol, com flâmulas de clubes, escudos e verdadeiras estátuas em tamanho natural de alguns craques do futebol internacional, como Messi, Zidane, Ronaldinho Gaúcho, entre outros, além de Maradona e Pelé, claro!

O bar é divertido, pois além da parte tranqüila onde o pessoal degusta algo para comer e toma uns tragos, há uma pista numa parte de baixo onde rola de tudo, mas via de regra música latina, em especial rock latino.

Um pouco alcoolizado, arrisquei dar um pulo lá, mas como os demais estavam de boa, sentadinhos lá no bar, só dei um confere e voltei para a mesa...com vontade de ficar lá em baixo, é claro.

No fim das contas, o problema é que descobri que em lugares onde a moeda é desvalorizada frente ao real, eu fico ainda mais rico quando bebo...gastei uma grana que nem podia, pois ainda estava no segundo dia da viagem.